O dia que ela se foi
Quantos medos agonizando o olhar
Adoeçendo órgãos, fortificando sintomas
Adoeçendo órgãos, fortificando sintomas
Quantas dores da alma nos carcinomas
Esperanças em falso naufragando no mar
Quantas mãos entrelaçadas pedindo socorro
Quanta tristeza pairando no espaço
Pedindo talvez o calor de um abraço...
Quanta alquimia de ervas e unguentos
Quantos remédios, quantas receitas
e santos e rezas para aliviar
Suores úmidos para encharcar
e beijos inéditos para perdoar
Quantos passeios entre a morte e a vida
Em viagens únicas que só tinham ida
Quantas súplicas em vão, vocativos divinos
que suplicavam em uníssono,
Entre as baladas dos sinos
-é hora de rezar!
E Deus por mil vezes evocado,
Nenhuma só vez ouviu meu chamado, e
mandou-me a morte em seu lugar.
E vi o beijo da morte não ser recusado
Queimando por dentro o que não sei explicar
Gritando em silêncio: - Porque tem que ser assim?
Perguntando à vida porque tirou você de mim...
(Julho de 1996)
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