domingo, 11 de setembro de 2022

 O dia que ela se foi 


Quantos medos agonizando o olhar
Adoeçendo órgãos, fortificando sintomas
Quantas dores da alma nos carcinomas
Esperanças em falso naufragando no mar

Quantas mãos entrelaçadas pedindo socorro
Quanta tristeza pairando no espaço
Pedindo talvez o calor de um abraço...
Quanta alquimia de ervas e unguentos
Quantos remédios, quantas receitas
e santos e rezas para aliviar
Suores úmidos para encharcar
e beijos inéditos para perdoar

Quantos passeios entre a morte e a vida
Em viagens únicas que só tinham ida
Quantas súplicas em vão, vocativos divinos
que suplicavam em uníssono,
Entre as baladas dos sinos
-é hora de rezar!

E Deus por mil vezes evocado,
Nenhuma só vez ouviu meu chamado, e
mandou-me a morte em seu lugar. 

E vi o beijo da morte não ser recusado
Queimando por dentro o que não sei explicar
Gritando em silêncio:  - Porque tem que ser assim?
Perguntando à vida porque tirou você de mim...

(Julho de 1996)


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