quinta-feira, 2 de setembro de 2021


2019


 A juventude passa e a verdade fica.

O sol continuará a nascer, mas o brilho nunca mais será o mesmo.

O coração não irá mais querer arrebentar o peito para esbravejar bobagens ao mundo.

Na hora de escrever, começamos a pensar mais em epígrafes e menos em poesias.

 


Os amores são únicos, as dores não.

A esperança não é mais a minha rainha

Hoje em mim reina a razão.

 

Não sufoco mais em mim a dor de não ter vivido amores

Já semeei seus frutos e os reguei com lágrimas

E nenhum, por mais regado que fosse, em mim sobreviveu

 

Qualquer música me faz chorar. É tanto passado, estórias inglórias

Que qualquer rima que me derem faz do meu sofrimento o seu par

 

O amor sempre vem único, mas a dor vem em plural

A dor de agora junta-se a dor de outrora e até de outrem

O amor não se sabe, mas a dor sempre vem.

 

Renega-se o óbvio pela leveza de se achar senhor do próprio destino

E vem o tempo, que ora sorvemos em doses homeopáticas

Ora engolimos até regurgitá-lo

 

E vem o tempo nos dizer que não, que bobagem, desatino

O óbvio é tão somente um só

Do pó viemos e ao pó retornaremos

 

Sozinhos. E sozinhos voltaremos.

De e para onde viemos.