terça-feira, 5 de setembro de 2023

  

 

E lá vamos nós novamente…peito cheio em turbilhão

Os anos trazem as rugas aos olhos, mas o espírito ainda segue inocente

O ímpeto que mora em meu coração, as dores que habitam minha mente

As lições aprendidas em vão, os erros que me permeiam, insistentemente

 

Eu, que sou tantas e em tantos átomos me fragmento

No meu âmago, onde regurgita um universo tal qual uma mãe e seu rebento

Em mim que se rompem desejos, e os remendos qual uma colcha de retalhos

Eu, que enalteço os meus pecados e me conforto em meus atos falhos

 

Eu que nunca digo não à vida, ainda que dela me esquive

Que do paradoxo do meu ser, faço do meu âmago a minha essência e antítese

Traduzo o rascunho da minha alma em palavras indecifráveis

Esboço meu corpo firme em contraste com meus desejos em rédeas frágeis

 

Sou a estrela caótica de Nietzsche em uma noite de constelações fugazes

As flores de Baudelaire quando não houver mais males

Sou a nau de Fernando Pessoa quando navegar não for mais preciso

A fidelidade de Vinícius quando seu soneto não for mais quisto

 

 

São Paulo, 05 de setembro de 2023