Pés freiam na tempestade, rodopiam nos risos;
Bailam canções, prostram-se no ajoelhar;
Pés levantam a alma e derrubam o pesar.
Na ponta dos pés, a bailarina rodopia sem reclamação;
O pé-de-chinelo no beco da favela, em sua humildade também não.
Pés de salto alto, um dia já foram pés no chão;
Pés de salto alto, no arqueio se equilibram;
Querem descer sem pisar em falso...
Sem que ninguém vá em seu encalço.
De que vale pé na areia, se não se deixa pegadas ao mar?
De que adianta pé na estrada, se não for pra desapegar?
Alto onde os pés não alcancem, onde são desnecessários...
Onde se possa voar.
Juram os pés juntos uma verdade qualquer...
Dessas passageiras e precipitadas;
A verdade aos meus pés, ilusões cansadas...
Agora não importam mais.
Pesam no fim dia, carregando o seu viver
Pesa o pé da sandália, pesa o pé do mocassim
Pesa o que pisou em sonhos, pesa o que pisou em mim
