domingo, 13 de abril de 2008

Silêncio na sala ao lado


Silêncio na sala ao lado. Apenas uma respiração apreensiva rompia o vácuo do momento. Absolutamente vazio. O ar, os pensamentos, a cabeça, o pulmão.
Adeus. Não pulsam mais as veias, não latejam mais as lágrimas. Entregue, expulso. De quem ? Pra quem ? A Deus.
Deram o sinal. Fecharam-se as portas. Abriram-se os prantos. Dos olhos, feito torneira aberta, que esqueceram de fechar. Escorreu. Foi-se o chôro, foi-se o sangue, foi-se o tempo. Um atrás do outro, metodicamente, na marcação da ampulheta : chôro, sangue, tempo, chôro, sangue, tempo…Gotejando, vertendo em fios dolorosos, secando os sonhos e os desejos. Agora há um deserto.
Tempo. O tempo passa, as horas passam. Arrastando-se, pesadamente como um jesus e sua cruz, marca a alma de dor, derruba os lastros e enfarda as almas. O tempo passa, mas a dor não passa.
Lutar. Lutar por um dever. Lutar para viver.
A carne, quando cortada, sangra. A veia, quando arrebenta, inércia. O coração, quando transborda, chora. O corpo, quando desiste, a alma não esmorece.
Fugir. Fugir de mim, fugir daqui. Perder o eixo, perder o rumo, peitar o destino.
Vida sem ideal não é vida. É subvida, é vergonha de vida. É insubsistência.
Vida, quando perdida, vive de saudades. Vive de lembrar, e depois chora.
Imunda, cada lágrima. Inunda, chora e lava a alma. Lava os olhos sujos de sangue. Lava as mãos da guerra, lava a boca profana.
Não há sobra de mais nada para cantar. Não há nenhum sonho para aspirar. Silêncio na sala ao lado…A morte me visitou e morreu tudo dentro de mim…

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Fugaz? Filosofia?

Fugaz: etimologia: Do latim "fugax","ácis" (que foge facilmente, fugiente, fugitivo; transitório, passageiro)

Filosofia: (do grego Φιλοσοφία: philia - amor, amizade + sophia - sabedoria)



Sabedoria passageira, em um mundo onde mesmo a velocidade da luz parece devagar. O conhecimento tornou-se um acessório. Ou melhor, é necessário conhecer de tudo um pouco, do todo ao quase nada de qualquer assunto. É preciso articular sobre opiniões quase copiadas dos jornais, plagiar sites e revistas, mas é preciso estar informado. É preciso saber de tudo o que nos circunda, cercar-nos de opiniões e assuntos exóticos, rasos ou vagos. É preciso ter nos lábios a palavra da moda, o assunto do dia, a última cotação da bolsa, o último escândalo do governo (este assunto, admito, apenas para os que tem realmente tempo de atualizar-se com uma freqüência quase atroz).
Temos de falar de tudo para não falarmos de nós. Falemos do que beira na superfície, do que bóia no nosso âmago, não do que se aprofunda nele. Sejamos fugazes em nossas filosofias, pois mergulhos profundos dentro da alma, poucos ainda conseguem dar. É mais fácil esconder-se em meio às mazelas do mundo do que descobertar as suas próprias. Não que elas sejam mais ou menos doídas do que as dos outros. São apenas nossas. Deixemos pois, de sermos fugazes, exilados de nossa própria alma: sejamos mais íntegros, sinceros e profundos, pois de efêmera e transitória, basta a vida...