A Geração da Negligência
"Não é a estória que fascina mas a alma que está nela".
Seremos lembrados pela história como a geração da negligência.
Não lutamos. E portanto há tantas causas, que passam de lado, esbarram em nossos ombros, nos esbofeteiam e mesmo assim, nós pedimos desculpas. Apenas para seguir em frente. Apesar dos pesares.
"Apesar de você". Não há mais Chicos Buarques, não há mais Caetanos Velosos.
Há o Comando Vermelho que grita em música e rimas suas ideologias. Sem julgamentos. Ideologia...eu quero uma para viver. A minha geração não tem ideologias.
Atos Insitucionais ninguém mais sabe o que é...atos inconstituicionais...há tantos, todo os dias, impregnando o ar que respiramos de um cheiro mórbido de desleixo, incúria, deixado por seres irresolutos e alienados, que somos todos nós.
Vem, vamos embora...que esperar não é saber. Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.
Nós somos inércia. O torpor tóxico desse mundo absurdamente rápido, onde as pessoas robotizadas esqueceram-se do mais simples dos sentimentos: amor. Amor ao próximo.
Hoje...que morram em dezenas, de fome e de sede. Não se precisa calar a imprensa: nós calamos a nós mesmos, e ainda que se estampem em todos os painéis e outdoors, não precisa furar nossos olhos, nem prender-nos nas prisões...nós não queremos enxergar a verdade.
Não haverá mais repressões, porque não há o que coibir, não refrearemos...
Não haverá mais torturas, porque somos covardes demais para lutarmos por uma causa que não seja a nossa própria.
Nós, mais escravos do sistema do que jamais, mais sujeitos às regras do que nunca, robóticos como nem mesmo Isaac Asimov imaginou, pensamos que vivemos em liberdade.
Liberto está o espírito que não sucumbe ao sistema e entende que o sublime da vida é ser parte da humanidade, e portanto, nunca, nunca, deixar de lutar por ela...