sexta-feira, 25 de março de 2011

Esta carta eu escrevi para o meu pai antes da sua morte, e tive a sorte de poder ter dado a ele em vida. Meu pai se foi sabendo de tudo o que eu sentia por ele... 
Pai, 
Traduzir em palavras o que sentimos é quase uma arte e acredito mesmo ser um dom- pois são poucos os que compreendem a linguagem do coração. Na maioria das vezes deixamos a rotina (a mais banal das desculpas) fazer as vezes de mestra e nos sucumbimos às suas ordens de ceder a prioridade aos nossos atos mais ordinários. Falta tempo (outra desculpa indulgente) para dedicar-nos ao que nos diz o coração. Entretanto, nunca se cala, um coração. Insiste impulsionado por seus anseios de se fazer ouvido e derrama no sangue seu desejo, em um ímpeto incessante até que se faça percebido. Quando as emoções manifestam-se em palavras é quando o homem aproxima-se o mais perto de Deus- e lembra-se que nada mais na vida importa se não souber dar voz às suas emoções. Eu queria dizer-te muitas coisas belas, mas não tenho em mim o dom de transformar amor em poesia. Mas quero que saiba que não estou lhe escrevendo de filha para pai. Como dizia Richard Bach (que você me ensinou a ler), a verdadeira família são nossos amigos, pois somos nós que os escolhemos -"é raro os membros de uma família viverem sob o mesmo teto." Pois mesmo se eu não tivesse nascido sua filha, desejaria conhecê-lo em algum momento da minha vida, apenas para absorver um pouco dos seus ensinamentos. Talvez até pareça paradoxal, mas a distância ensinou-me a admirar-te cada vez mais: a tua força ideológica e incorruptível, base dos teus valores que eu nunca encontrei mais digno entre os meus; o teu senso de justiça e coerência, o desapago ao material, os desejos comedidos, nem sempre por vontade própria, o compreender dos limites e a perseverança de nunca abandonar a luta antes de ter a certeza de sabê-los alcançados. Para mim, pai, mesmo os teus defeitos são tão dignos que eu agradeço a Deus a oportunidade de poder aprender com eles. A tua imagem para mim é símbolo de heroísmo e luta, exemplo de determinação e coragem, dessas que poucos homens ousam ter. Eu não conheço a tua dor, mas quero que saiba que você ajudou muito a apaziguar a minha. Que mesmo de tão longe, a tua presença em mim é muito forte, e muitas vezes foi por você que eu consegui me levantar. Embora eu sinta muito o fato de ter com você tão pouco convivido, a intensidade das tuas palavras em nossos curtos encontros chegam quase a consolar-me pela falta que tua ausência traz. Quero que saiba, pai, que pode contar comigo o quanto eu sei que posso contar com você. Quero ser para você muito mais que uma filha, pois filhos não se escolhem. Quero ser sua amiga, daquelas amizades que são para toda a vida, que fortalecem-se depois das desavenças e sabem-se duradouras porque são desprovidas de interesse. E acima de tudo, deixar em palavras registradas a maior admiração que por alguém jamais senti. Pelo pai, pelo homem, pelo filho e pelo ser humano que você é. Pela sabedoria e a humildade que sublimam a tua alma e pela capacidade de, embora saber a vida um pouco dura e injusta, dar-lhe como resposta a doçura do teu olhar. Obrigada pai, por mostrar-me um pouco da vida sob a tua ótica. Espero que você se orgulhe de mim como filha como eu me orgulho de você como pai. Com todo o amor e carinho do mundo, Tainá

O NASCER PARA O ALÉM....Há quem morra todos os dias. Morre no orgulho, na ignorância, na fraqueza .Morre um dia, mas nasce outro. Morre a semente, mas nasce o flor. Morre uma estrela, mas nasce outra. Morre o caráter de um homem e nasce outra forma de ver a vida. Morre o homem para esse mundo e nasce em uma outra morada. Assim, em toda morte, deve haver uma NOVA VIDA. Esta é a esperança do ser humano que crê em Deus.


Triste é ver gente morrendo por antecipação....De desgosto, de tristeza, de solidão, de ódio, de ressentimento, de crença firme no " não tem solução" . Pessoas fumando, bebendo, se drogando, vivendo em um rumo só, sem tentar nada de diferente, em toda vida que viveu. Essa gente empurrando a vida. Gritando, perdendo-se . Gente que vai morrendo um pouco, a cada dia que passa, sem se dar conta que existe vida do corpo e vida da alma e somos felizes e estamos realmente vivos, quando vivificamos a ultima, com alegria, com paz, com harmonia, com bom senso, com otimismo, com perdão.


E a lembrança de nossos entes queridos, despertando em nós, o desejo de abraça-los outra vez.Essa vontade de rasgar o infinito para descobri-los. De retroceder no tempo e segurar a vida. Ausência: porque não sabemos as formas para se tocar. Presença: porque se pode sentir e emocionar de maneira tão forte e que se tem uma firme visão de que eles estão apenas em um cidade distante onde por hora não posso ir. Essa lágrima cristalizada, distante e intocável. Essa saudade sufocando o coração. Esse infinito rolando sobre nossa pequenez. Esse céu azul e misterioso , cujo mistério nunca terá fim. É a glória do descobrir infinito.Ah!!! Aqueles que já partiram! Aqueles que viveram entre nós. Que encheram de sorrisos e de paz a nossa vida. Foram para um mundo que ainda não sei como tocar, como ver, deixando algo mais que uma solidão e saudade. Que a gente, ás vezes, disfarça para esquecer. Deles guardamos até os mais simples gestos, que antes, se já tinha valor, agora estão mais realçados, mais preciosos. Com isso vemos falhas que antes não viamos e acertos que agora mostram sua razão.


Sentimos, quando mergulhados em oração, o ruído de seus passos e o som de suas vozes. A lembrança dos dias alegres. Daquela mão nos amparando e nos dando o que define a nossa vida: o caráter. O tempo passa e temos certeza que teve muitas lágrimas que não vimos correr e assim foi, para nos dar o melhor. Lembrança das partidas e de suas lágrimas, da vontade de ter ficado mais um pouco, e do porque não fiquei mais tempo quando visitei. Acho que pensava que eles eram imortais. Vontade de rever aquele rosto e arrependimento de não ter dado maiores alegrias. Essa prece que diz tudo. Esse soluço que morre na garganta. E....... há tanta gente morrendo a cada dia, sem partir. Amedrontados por pequenos obstáculos, por suposições. Meu Deus !!


Que ausência tão cheia de presença! Que morte tão cheia de esperança e de vida !


[ texto: Padre juca adaptação: Sandra Zilio e Gilson Melo ]

sexta-feira, 11 de março de 2011



Hoje eu resolvi te olhar.


Não nos teus olhos, como sempre fiz;


Mas além do horizonte, onde criei raiz.




Hoje eu resolvi que não vou morrer antes de partir;


Que amarei a vida do jeito que ela vir.




Hoje eu quero mergulhar no mar...


Quero me perder na liberdade do vento que sopra;


Porque a vida nos dá, mas ela nos cobra...




Quando findar a última luz do dia,


Ainda brilhará o meu olhar.




Quando estancar a dor que me acaricia,


Ainda a vida vem me consolar.




No mar que finda o sol em seu horizonte.


No vento que corre atrás do monte...




Quero a promessa dos dias que virão!


Resignar-me à minha condição...




de filha de Deus, do céu, da terra;


Do que dá uma saudade


quando resolve amar...




O que dói na alma é um pedaço de mim.


É o exílio do barco sem bandeira,


largado ao léo,


Sem eira nem beira.




O que lateja na alma é um rastro de mim.


É o beco sem saída,


a encruzilhada da vida.


Aquele caminho lacrado,




imaculado e inviolado.


Aquele amor que se diz sagrado...




agora nasceu dentro de mim.