sábado, 13 de setembro de 2025

 Conheço a cor do teu olhar,

não por cansar de vê-lo refletido,

mas por tanto imaginá-lo

Na espera das tuas ausências.


Olhares enfeitiçam:

cegam, paralisam,

interrompem o tempo,

e, quando se aquietam,

deixam cicatrizes de silêncio.


Como uma droga,

me abduzem ao êxtase delirante;

na amarga realidade,

sou prisioneira da tua abstinência.


Teu olhar resume minha existência:

dissolve-se em lágrimas,

morre na praia,

naufraga em si mesmo,

escorrendo na minha boca

o sal eterno do teu ser.