Conheço a cor do teu olhar,
não por cansar de vê-lo refletido,
mas por tanto imaginá-lo
Na espera das tuas ausências.
Olhares enfeitiçam:
cegam, paralisam,
interrompem o tempo,
e, quando se aquietam,
deixam cicatrizes de silêncio.
Como uma droga,
me abduzem ao êxtase delirante;
na amarga realidade,
sou prisioneira da tua abstinência.
Teu olhar resume minha existência:
dissolve-se em lágrimas,
morre na praia,
naufraga em si mesmo,
escorrendo na minha boca
o sal eterno do teu ser.