sexta-feira, 15 de julho de 2022

 
Rio Negro

Uma parte de mim é alma necrosada
Ilusões ceifadas, restos de devaneios
Latejam na ferida onde fizeram morada
Se nutrem resignadas dos vencidos anseios

Mas não se foge da luta, tampouco do desejo
Da imortalidade da essência, ou da carne seu ensejo
Eu sou em mim antítese, paradoxo e explosão
Do que houvera sido se não fosse a razão

Eu sou qualquer coisa que não faça sentido
Eu sou paixão entranhada nas veias
Eu sou o reflexo que em outros odeias
Eu sou o filho bastardo depois de parido

O que me inspira é a antítese e seu reverso
Do negro rio, do teu mistério submerso
No breu das tuas águas me adentro e me entrego 
 
Posso ser só carne ou me espiritualizar
Posso ser  tua alma gêmea ou apenas mergulhar
Posso ser seu tudo ou nada, apenas deixe-me ficar.



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