quarta-feira, 27 de abril de 2011

A dor


Amor? Amor me consumiu mais do que oxigênio no fogo.
Dicotomia de sentimentos que não me matou por pouco.
Dor? Foi arrancado um pedaço de mim, com as entranhas e as amarras....
Os tendões da alma, o mais visceral do que há em mim e agora,
a ferida aberta e dilacerada...

A dor da alma amputada, tentando se lembrar do que um dia já foi...
A cicatriz não fecha porque dela sempre jorrará sangue
E não se incomode, não adianta rezar para que se estanque.

A dor de um filho que não nasceu, a dor de um pai que já morreu.
O tormento sufocado de um olhar feito de sonhos arrancados...
Sequestraram um pedaço de mim.

Queimaram minhas veias e minhas entranhas, esterilizaram minha alma.
Torturaram minha alegria até ela se calar.
Mas é o pássaro de asas cortadas que faz o mais lindo cantar.

Canta, canta passarinho. Canta a dor de não mais voar.
Quem caminha em brasas não se incomoda com o fogo.
Quem chorou dilúvios caçoa das tempestades.
Quem arrebentou a alma deu à luz a muitas constelações.





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