
Hoje eu resolvi te olhar.
Não nos teus olhos, como sempre fiz;
Mas além do horizonte, onde criei raiz.
Hoje eu resolvi que não vou morrer antes de partir;
Que amarei a vida do jeito que ela vir.
Hoje eu quero mergulhar no mar...
Quero me perder na liberdade do vento que sopra;
Porque a vida nos dá, mas ela nos cobra...
Quando findar a última luz do dia,
Ainda brilhará o meu olhar.
Quando estancar a dor que me acaricia,
Ainda a vida vem me consolar.
No mar que finda o sol em seu horizonte.
No vento que corre atrás do monte...
Quero a promessa dos dias que virão!
Resignar-me à minha condição...
de filha de Deus, do céu, da terra;
Do que dá uma saudade
quando resolve amar...
O que dói na alma é um pedaço de mim.
É o exílio do barco sem bandeira,
largado ao léo,
Sem eira nem beira.
O que lateja na alma é um rastro de mim.
É o beco sem saída,
a encruzilhada da vida.
Aquele caminho lacrado,
imaculado e inviolado.
Aquele amor que se diz sagrado...
agora nasceu dentro de mim.
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