Quero fechar os olhos, e que eles, cerrados, sejam fogo e mato;
Queda d’agua nas chapadas, trilhas perdidas no mato grosso...
Eu sou centro, rumo ao oeste, eu sou carne seca no sol.
Me dê licença, seu moço? Não se avexe não: vou assentar minha alma na beira de um ribeirão...
Guaporé, Madeira, Tapajós, Araguaia;
Mortes, Paraguai, Juruena, Corumbá;
Por onde correr meu sangue, é por lá que vai desaguar...
Vou fazer poesia de bar, como se guerreiro pudesse fazer poema...
Remar contra a maré, feito peixe em piracema.
Quero arder o fogo da minha memória até consumir minha estória;
Não de tristeza, posto que é a minha essência: mas das sequelas da alma, ou da minha própria negligência.
Quero estar longe dos normais e brindar sempre a minha loucura,
que me abstém de normas e de pessoas;
Quero loucura em dose dupla, e sem gelo, por favor!
Ouvindo clássicos de samba, de tango, blues, tanto faz ;
O belo da vida é o que a faz fugaz!!!!
Efêmera metafísica de Pessoa, Schopenhauer, Vinicius e de quem mais...
Por favor só me acordem quando houver...paz.
São Paulo, 19 de setembro de 2010

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