E lá vamos nós novamente…peito
cheio em turbilhão
Os anos trazem as
rugas aos olhos, mas o espírito ainda segue inocente
O ímpeto que mora
em meu coração, as dores que habitam minha mente
As lições
aprendidas em vão, os erros que me permeiam, insistentemente
Eu, que sou tantas
e em tantos átomos me fragmento
No meu âmago, onde
regurgita um universo tal qual uma mãe e seu rebento
Em mim que se
rompem desejos, e os remendos qual uma colcha de retalhos
Eu, que enalteço os
meus pecados e me conforto em meus atos falhos
Eu que nunca digo
não à vida, ainda que dela me esquive
Que do paradoxo do
meu ser, faço do meu âmago a minha essência e antítese
Traduzo o rascunho
da minha alma em palavras indecifráveis
Esboço meu corpo firme
em contraste com meus desejos em rédeas frágeis
Sou a estrela caótica
de Nietzsche em uma noite de constelações fugazes
As flores de Baudelaire
quando não houver mais males
Sou a nau de
Fernando Pessoa quando navegar não for mais preciso
A fidelidade de Vinícius
quando seu soneto não for mais quisto
São Paulo, 05 de
setembro de 2023
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