2019
A juventude passa e a verdade fica.
O sol continuará a nascer, mas o brilho nunca mais será o
mesmo.
O coração não irá mais querer arrebentar o peito para esbravejar
bobagens ao mundo.
Na hora de escrever, começamos a pensar mais em epígrafes e
menos em poesias.
Os amores são únicos, as dores não.
A esperança não é mais a minha rainha
Hoje em mim reina a razão.
Não sufoco mais em mim a dor de não ter vivido amores
Já semeei seus frutos e os reguei com lágrimas
E nenhum, por mais regado que fosse, em mim sobreviveu
Qualquer música me faz chorar. É tanto passado, estórias
inglórias
Que qualquer rima que me derem faz do meu sofrimento o seu
par
O amor sempre vem único, mas a dor vem em plural
A dor de agora junta-se a dor de outrora e até de outrem
O amor não se sabe, mas a dor sempre vem.
Renega-se o óbvio pela leveza de se achar senhor do próprio
destino
E vem o tempo, que ora sorvemos em doses homeopáticas
Ora engolimos até regurgitá-lo
E vem o tempo nos dizer que não, que bobagem, desatino
O óbvio é tão somente um só
Do pó viemos e ao pó retornaremos
Sozinhos. E sozinhos voltaremos.
De e para onde viemos.
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